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Realmente, a natureza não para de nos surpreender com as suas criações e aquilo que agora nos parece normal em tempos provocou medo e espanto. Foi o que aconteceu com o Sphynx, a raça de gatos sem pelo. Agora chegou a vez dos gatos de cinco orelhas.
Estamos a falar de uma única gata
sem precedentes cujo nome é Luntia. Essa criatura é realmente invulgar, é
o único gato no mundo que tem cinco orelhas. Ainda gatinha, ela foi
encontrada na rua por Vladimir Obryvkov, docente da cátedra de anatomia,
biologia geral e histologia da Faculdade de Medicina Veterinária da
Universidade Estatal Agrária de Voronezh, que começou a cuidar dela.
A
Luntia tem um par de pavilhões auriculares normais ao lado de um par de
orelhas situadas a 180 graus relativamente às primeiras e ainda tem uma
pequena orelhinha de lado. Além disso, segundo se vê na imagem de
raios-X, ela em vez das habituais sete vértebras cervicais apresenta só
três que se fundiram.
As características estranhas
ficam por aí. Apesar de os cientistas considerarem que os animais com
anomalias deste gênero vivem menos tempo que os seus semelhantes, a
Luntia é completamente saudável e ativa, possui um excelente apetite e
capacidades intelectuais invulgares. Claro que ninguém quer perder um
tesouro desses e o seu dono resolveu encontrar-lhe um namorado com o
gene recessivo “dp” responsável pelas orelhas múltiplas.
Segundo
relatou à Voz da Rússia o zoólogo Dmitri Isonkin, a ideia de se obter
uma prole de orelhas múltiplas a partir dessa gata é perfeitamente
realista:
“Numa certa altura, foi de forma semelhante
que se criou a raça do Sphynx canadiano. Para isso era necessário
cruzar dois gatos com o gene recessivo “sem pelo” e, depois de retirar
da ninhada os gatinhos que nasceram "nus", repetir a operação. O mesmo
método pode ser aplicado para obter uma raça de gatos de orelhas
múltiplas. Outra questão é: para quê? Os cruzamentos consanguíneos de
animais pioram a sua saúde e imunidade às doenças.”
Consideremos,
por exemplo, os gatos comuns. Regra geral, eles são bastante mais
saudáveis que os seus semelhantes de raça. Esses mesmos Sphynx não
poderiam sobreviver nas ruas devido à ausência de pelo, já nos Persas,
para criar esse “focinho fofo”, a seleção danificou os canais lacrimais e
por isso ao cuidar dos gatos Persas é preciso dedicar uma especial
atenção aos seus olhos. O zoólogo aponta o aspeto estranho de muitas
raças de gatos criadas artificialmente:
“Já nem falo
dos Baby Sphynx. Eles são algo intermédio entre o gato nu e o cão
salsicha. Se alguém não os viu ainda, tem que vâ-los na Internet.
Garanto que é um espetáculo difícil de esquecer.”
Para
a pessoa é muito bom. Ela cria uma nova raça, recebe dinheiro por ela e
prêmios em exposições. Que vidas têm depois os animais com essas
anomalias as quais só se agravam com o passar das gerações? Com eles é
que ninguém se preocupa. Penso que isso não é muito humano, devemos
procurar criar animais saudáveis em vez de multiplicar mutantes.
Seja
como for, o dono da Luntia tenciona encontrar-lhe um parceiro. A
escolha não é fácil. Não há assim tantos gatos de quatro orelhas que se
possam candidatar ao papel de noivo. Ou o potencial candidato vive muito
longe, ou não se consegue um acordo com os seus donos. No entanto, há
muito pouco tempo, Vladimir Obryvkov encontrou um candidato adequado.
Ele é o Luntik (reparem no seu nome… Tem de ser o destino…) um gato de
quatro orelhas de Rostov-no-Don. A sua dona Ludmila Shekhovtsova já
acasalou o seu bichano com gatas normais, mas o gene de orelhas
múltiplas não se revelou. No entanto, a probabilidade de se obter
gatinhos com quatro ou cinco orelhas de um casal de progenitores com o
gene recessivo “dp” é muito elevada.
A Luntia já está
a ser preparada para o encontro com o seu prometido ruivo. Quem sabe,
pode ser que esse par amoroso dê início a uma nova raça de gatos de
cinco orelhas. Pois aquilo que nós, no início, não aceitamos e
rejeitamos se pode tornar normal mais tarde.
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